sábado, 31 de dezembro de 2011

RESILIENTE

Às vezes temos de parar de correr, olhar para aquilo que nos persegue e enfrentar.


RESILIENTE

Yvis Rissi Tomazini

- Ei. De que vale tanta força, se é você quem tende a se ferir?



Um homem resiliente vale mais que mil guerreiros.
Sorri sarcástico perante um ácido amanhã.
Cicatrizado, sujo e de coração partido!
Porém, leve e verdadeiro, cada vez caleja mais seu limite derradeiro.

Teimoso, cambaleante e um tanto maltrapilho!
Mas não se importa... O importante é, de pé, caçoar de seu destino.
Estralando seu pescoço, bocejando, ou fazendo tipo.
Ainda estar por lá para, audacioso, fazer isso.

Um homem resiliente é dono do seu caminho.
Não tem medo de errar. Quer errar e se perder!
Quer vislumbrar aquela outra realidade, nem que seja um pouquinho...
Saber como teria sido, se tivesse acontecido.

Meneia solenemente perante o inferno desabrochado.
Pode fazer isso. Aguenta. Raro o caso de sujeito mais abusado.
Gargalha ridiculamente perante o trovão superado. Já desafinado.
Debocha firme e ferido daquilo que se chama trágico.

Não que seu coração não sangre. Sangra, sim, e sangra muito.
Mas, resiliente que ele só, sabe que passa. Sabe que não é tudo.
Jamais atrás de um escudo. De peito aberto fronte a espada.
Toma a surra, se levanta, bate o pó e volta esnobe a valsa.

2012? Que venha!
@Yvis_Tomazini


terça-feira, 15 de novembro de 2011

“RESENHA” de O Casarão


Breve nota do Caneta: Pouco após o inicio do "A Caneta Selvagem" eu já havia feito um post sobre o lançamento deste livro.
Segue o link: http://migre.me/6a8cQ
Contudo, agora que o li, tenho como responsabilidade dar o aval da obra, não é?
Não sou um resenhista, sou um aspirante a escritor (and that's what i do!). E embora, muitos consigam conciliar as duas coisas, eu não me sinto muito lá a vontade. Daí o motivo das aspas na palavra "resenha". Acontece que eu gostei bastante de "O Casarão", e sendo assim, comentá-lo foi um exercício prazeroso.
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O Casarão por Vicente Reckziegel




"Assim que terminou de contar sua história, Jonas olhou para nós e o que viu foram três rostos assustados, as bocas abertas e olhos arregalados como numa caricatura. Acho que, ao olhar para nós, Jonas acabou também por se assustar. O primeiro que decidiu terminar com aquele silêncio foi Roberto." ... (Trecho de um capitulo mais adiante.)"

Vicente Reckziegel já inicia o texto nos envolvendo em uma acolhedora nostalgia. A voz em primeira pessoa começa apresentando os quatro personagens principais. Sendo, obviamente, o narrador um daqueles quatro amigos. A espontaneidade que um ofende o outro para em seguida fazer uma piada, torna aquelas relações bastante criveis e orgânicas. O ‘Quarteto Fantástico’, no auge dos seus quatorze anos, vive aquele tempestuoso e (prazeroso ao se lembrar) momento de amadurecimento. A infância se foi, mas a vida adulta ainda é uma miragem na distância. Os quatro garotos são bem distintos um do outro, e muito provavelmente o leitor vai se identificar com um deles, ou imaginar o rosto de seus amigos ali.
Não que eu tenha feito isso.
Ok, admito, foi um pouco inevitável.
Mas é aí que mora o perigo. Aquela sensação de conforto e segurança vai derretendo ao decorrer das páginas, e então percebemos a que o livro veio.
E então você perceberá que é tarde demais. Uma porta se fechou atrás de você. O único caminho a seguir é avante. Você quer terminar o livro.








O livro aposta na curiosidade que ele gera. Ao pegá-lo, notará que a sinopse quase nada revela a respeito da trama. Tudo que se sabe é que quatro garotos vão meter o nariz, onde não foram chamados. E que algo vai acontecer.
Mas...
Algo, “ o que?”. (Entenderam?)
É mérito também da narrativa fluida, que o livro consiga administrar esta curiosidade que ele gerou. Eu não me desapontei. Ao contrário disso, me surpreendi com a atmosfera próxima ao final MUITO diferente daquela mostrada na apresentação.

Bom... mas, como já dizia a frase do dia do Orkut: “Quem fala muito, dá bom dia a cavalo.”
Pararei por aqui antes que revele mais do que devia.
Só me resta aconselhar a leitura de "O Casarão" e parabenizar o autor Vicente Reckziegel. (É muito reconfortante ver um autor da minha geração fazendo seu trabalho bem feito.)
Link do autor, caso queiram adquirir um exemplar.
Obs: O livro tem 140 páginas e foi publicado pelo selo Anthology da editora Multifoco.

Obs 2: Tenho uma critica negativa ao livro! Mas acho que todos aqueles que tocam contra-baixo também a teria. hauah =)

Obs 3: Mais ou mesmo na mesma linha (a nostalgia é uma boa gasolina para escrita) segue o trecho de um trabalho meu que postei aqui no blog. É uma espécie de post duplo, e a narrativa intitulada Os caçadores de Estátua, fica na parte final. http://acanetaselvagem.blogspot.com/2011/03/sao-apenas-historias.html











Forte abraço a todos e um próspero fim de feriado!
Yvis Rissi Tomazini
@Yvis_Tomazini


domingo, 30 de outubro de 2011

‘VESTÍGIOS’ por Lygia Canelas


Breve nota do Caneta: Uma das coisas mais recompensadoras no meio literário é a possibilidade de conhecer pessoas que compartilham dos mesmos objetivos. (Isso me faz sentir menos louco.) E, mesmo de longe, reconhecemos de imediato quando a intenção artística é genuína. Sendo assim, fico muito feliz em ver comparsas lançando suas obras e bastante ansioso para desbravá-las.


(Eu tenho que comentar... Esta capa está simplesmente DEMAIS.)





VESTÍGIOS: contos e poesias, de Lygia Canelas


(capa de Nataly M. Maximiano, revisão de Érica Peçanha, Editora Ilustra)


Ler VESTÍGIOS é resgatar o sentido etimológico desta palavra, vestigium (do latim), propriamente, a sola do pé. Percorremos (sentindo) as trilhas que levam e elevam a menina à mulher, as dúvidas cotidianas às indagações sobre Deus, a vida e a morte. Nesse livro trilharemos os caminhos da alma criadora feminina, com suas eternas peculiaridades: a efemeridade, a vaidade, a complexidade e – acima de tudo – a sentida, vivida e intensa originalidade. (comentário de Hélcio Lopes, escritor e poeta, leitor de Vestígios...)





Lygia Canelas é Bibliotecária e escritora, nasceu em Suzano-SP, em 11 de maio de 1984. Escreve desde os quinze anos, mas é arteira desde que nasceu. Fez teatro, dança e arriscou cinema. Sempre gostou de desenhar e ilustrar as histórias que escrevia, e escrever é sua grande paixão.





Lygia Canelas tem algumas obras publicadas e premiadas: a poesia "Despedida para uma infinita viagem", na antologia Luz e Sombra (Edições AG, 2002), a poesia "Coragem" (Mapa Cultural do Estado de São Paulo, Fase Municipal no Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi, Suzano/SP, 2005), os contos "Infarto Repentino" e "Reflexos", ganhadores do primeiro lugar no concurso literário que resultaram na publicação destas obras na revista Trajetória Literária (Secretaria de Cultura de Suzano/SP), primeira e segunda edições; e o conto "Candinho", vencedor em 4º lugar no concurso que deu origem à Antologia Literária de 2007, como resultado de outro concurso promovido pela Secretaria de Cultura de Suzano/SP.


Para conhecer mais de sua obra, acesse o blog da autora:


www.canela-s.blogspot.com

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Aqui segue também o twitter da autora: @LygiaCanelas

No caso, de vocês - assim como o 'velho Caneta' - estiverem interessados em adquirir e investigar 'Vestígios' (R$ 15,00) entrem em contato com a autora por seu e-mail lycanelas@gmail.com.


Parabéns Lygia, que seja o primeiro de muitos. o/

E é isso aí! Tenham uma ótima semana.


@Yvis_Tomazini



terça-feira, 17 de maio de 2011

Comentário pós-lançamento de Cursed City




Assim como eu, tenho certeza que muitas outras pessoas aguardavam ensandecidamente 14.05.2011. Eu não pensava em outra coisa. Seria este o dia em que finalmente tocaria no tal livro. Não me decepcionei, pelo contrário, me emocionei. Como eu disse aqui no Caneta Selvagem no post em que relatava minha seleção para a antologia Cursed City:
São os curtos momentos de realização que fazem valer os infinitos momentos de luta.”
Para quem quiser ler na integra.
Puxa, foi em 20.01.2011, mas parece que foi em outra vida. Cada dia de espera valeram por mil.





Em meu conto de Cursed, “Só o dinheiro dos mortos”, eu suei horrores para montá-lo, editá-lo, filtrar personagens, dinamizar, fazer caber nos limites de caracteres. Isto, pois eu tinha acabado de receber minha primeira (DE MUITAS COM TODA A CERTEZA DO MUNDO) rejeição. Isto, pois apenas havia mandado UM para outra antologia (Jogos Criminais) e esta havia me aceitado. O resto das “rejeições” tratavam-se concursos literários, coisa que só pelo nome já não nos transmite tanta esperança, né.
Mas que seja.





Fronte a sensação ruim de uma rejeição eu repensei sobre minha situação. “O que eu to fazendo aqui? Será que sou tão ruim?” . Aquela “derrota” foi bem amarga, mas me fez ponderar de montão. E depois do luto, vi a oportunidade em “Cursed City – Onde as almas não têm valor”. Escrevi tentando não me animar de antemão, para não sofrer como sofri na ocasião anterior. Mas me dediquei, fazendo o melhor que eu poderia fazer na época. Foi bem artesanal o trabalho de corte e etc...
Enfim, quando li meu nome na listas dos participantes, comemorei selvagemente, como se não houvesse um dia seguinte pra mim. Urrei, ao som de músicas engraçadas e sorria como se estivesse dopado.
São os curtos momentos de realização que fazem valer os infinitos momentos de luta.”


É nessas horas que percebemos qual o sentido da nossa vida. E até onde iríamos, para tanto. Que seja.
O lançamento estava repleto de pessoas amistosas que partilham dos mesmos objetivos que eu tornando a maioria de desconhecidos ali, cúmplices logo de cara. Só tenho a agradecer a presença dos comparsas que foram prestigiar, e parabenizar o trabalho da editora (do idealizador e organizador Marcelo Amado, o cara não poupou despesas e mostrou prazer no que escolheu fazer), que como não canso de dizer: “Fez a arte mais LEGAL E BEM FEITA que eu já vi em TODA minha vida em um livro. (O livro tem um furo! E é repleto de fotos e gravuras.)






Foi como um dos presentes comentou em uma das fotos. “Foi como estar no lugar certo, com as pessoas certas”, algo assim.
Comecei a leitura ontem e embora até então avancei rapidamente, vou fazer o máximo pra não terminar tão cedo. Quero degustar sem moderação, mas sem pressa também. Uma das coisas mais legais que tenho sentido ao ler Cursed é o entrosamento dos elementos entre os contos. Algumas coisas parecem fazer um sentido absurdo mesmo que não combinadas. Além é claro dos elementos já pré-determinados pela editora e que dão uma atmosfera de continuidade entre os contos absurda! Todas as vezes que vejo Billy Monstrengo, o dono do Saloon, fazer algum papel importante ou ponta em outras narrativas, eu me lembro dele arremessando um pano para Kansas Caolho (um de meus personagens) colher um cérebro estourado do chão.







Até então li pouco.
- Uns dizeres sombrios que nos colocam no clima escritos por Tânia Souza
- “O Prefácio” de Adriano Siqueira
- A apresentação da cidade pelo próprio Xerife.
Os Contos:
- “O gigante, a curandeira e a lutadora de kung-fu” de Alfer Medeiros
- “Oricvolver” de Ghad Ardhu
- “Número 37” de Carolina Mancini
- Just like Jesse James de Alliah (Este li fora de ordem, pois já estava na degustação on-line)
O próximo será: “Por um punhado de almas” de Cirilo S. Lemos








E é isso aí, quando terminar, pretendo fazer uma resenha da obra completa!
Aconselho este livro para aqueles que gostam de terror, elementos fantásticos, aventuras com elementos de horror, velho-oeste, humor, mistérios soturnos, ocultismo, ação e violência desmedida.





Quem quiser lê-lo vá até o site da Editora Estronho, em sua loja. (Importante dizer que eles não estão cobrando frete.) Quem for aqui da baixada santista e quiser ver comigo se podemos juntar um número maior de pedidos e negociar valores devido a quantidade e etc, acho que seria uma boa. Eu falo de peito aberto que vocês não vão se arrepender. O livro mesmo depois de lido ainda serve como um puta enfeite. Sem contar que você ainda leva um botom e um marcador.
Qualquer dúvida na compra entre em contato com a editora, pelo site deles (acima), ou no twitter deles @estronho, ou comigo mesmo pelo meu e-mail theyvis@hotmail.com e eu ajudo no que puder ajudar.
Fortíssimo abraço e ótima semana a todos.
@Yvis_Tomazini

quarta-feira, 4 de maio de 2011

LANÇAMENTO CURSED CITY 14 DE MAIO




Dia 14 de de Maio ocorrerá o lançamento da antologia 'Cursed City - Onde as almas não têm valor'. Me sinto orgulhoso de fazer parte de um trabalho tão meticuloso (a editora não poupou despesas na arte do livro, disparando até mesmo um tiro em cada um deles). (Acreditem nem em livro de RPG da Whitewolf eu vi uma arte tão detalhada...)






Neste mesmo dia ocorrerão juntos o lançamento do 'Insanas - Elas Matam' (Estronho) e Rei Rato (Tarja Editorial).


No mesmo dia em um outro local ocorrerá também o lançamento da antologia Espectra (Literata). Tenho comparsas que participam, eu tentarei dar um pulo lá antes =)



O conto com o qual participo na CURSED CITY se chama 'Só o Dinheiro dos Mortos', e segue abaixo o trailer que eu fiz para ajudar na divulgação.



video

Abraço pessoal.
@Yvis_Tomazini

terça-feira, 26 de abril de 2011

RESENHA: Apátrida


Como comentado aqui algumas semanas atrás, eis minha primeira resenha de um livro pertencente ao Book Tour do Selo Brasileiro.


Apátrida
Por
Ana Paula Bergamasco

Editora: Todas as Falas
Páginas: 338


ISBN: 9788599721148

Publicação: 2010



___Direto da Orelha___
Sinopse
Irena nasceu na Polônia, no entre guerras mundiais. Cercada de esperança e sonhos. Cresce sob a turbulência política das décadas de 20 e 30 do século XX. Encontrou na primavera da sua vida um grande amor e amigo. Este permearia a sua existência. A guerra, a religião e as conturbações sociais mudariam seu destino e a empurrariam numa avalanche de acontecimentos que a transformariam em uma menina sobrevivente...
Autora
Ana Paula Savoia Bergamasco Diniz é paulista, Descendente de italianos e espanhóis, aprendeu cedo sobre a saga da imigração. Formou-se em Direito pela faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, de onde recebeu uma menção honrosa por uma monografia centrada nos direitos internacionais do individuo. Casada, advogada militante e professora, possui duas meninas, que são sua fonte de inspiração.

http://apatridaolivro.blogspot.com/

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Resenha da Caneta
A beleza do livro começa em sua capa. Um olho azul que chora em meio a uma paisagem cinzenta. Admito que antes de iniciar a leitura já me senti tentado a interpretar alguma coisa aí. Um detalhe que não passou batido é o fato da tal lágrima que escorre possuir uma textura destacada. Com isso deduzi que se tratava de uma história triste.
Deduzi certo.
Apátrida é assumidamente um drama. Uma daquelas narrativas que nos faz valorizar as pequenas nuances da vida, mas que antes disso nos guia em um inferno de perdas e depressão.
Irena é uma jovem e humilde Polonesa qual lida com a perda desde muito cedo. Lida também muito cedo com o sentimento de rejeição amorosa. Confesso que já nas primeiras páginas sentia uma dor no peito enquanto prosseguia com a leitura. E acredito que esta é a função de uma narrativa tão sensível, sendo assim, mérito da autora. Achei pessoalmente muito divertida a visão apresentada sobre o Brasil e os brasileiros, de um ponto de vista estrangeiro. A imigração ao nosso país é tratada de um modo bastante respeitoso, a propósito.
Seguimos sempre em frente com Irena sentido uma centelha do que a personagem provavelmente sentia.
Os anos passam para a moça e cada vez mais ela descobre que tem de ser mais e mais (e mais) forte do que já teve de ser um dia. Lembrando que já iniciara a vida de um modo duro.
Não quero estragar nenhum detalhe sobre a narrativa, embora a vontade de comentar diversos outros fatos é latente. Em resumo: Eu indico de consciência limpa a leitura desta obra. Imagino como, para sair tão visceral quanto saiu, a autora se sentia ao despejar cada palavra no papel.
Deve ter sido tão duro quanto as próprias pesquisas.

Boa semana povo. Que fiquem em paz. =)
@Yvis_Tomazini

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Festa dos Velhos Amigos



Para aproveitar o feeling, vou dar uma postadinha fora do script. Fora do script como o reencontro com alguns amigos meus que ocorreu ontem. Teria sido coincidência se tivesse sido um dia depois, que seria meu aniversário. (Um dia, porque não nos esqueçamos q passamos da meia noite, como deve passar toda reunião de velhos amigos.) Que seja, acho que todos vão se identificar um pouco.





A Festa dos Velhos Amigos

Yvis Tomazini

Assim que chegamos à recepção do grande salão fomos obrigados a largar todos nossos recalques e frescuras. É bem verdade que a chapelaria ficou lotada e o rapaz responsável nunca trabalhou tanto em uma noite de terça. Mas isso não era um grande problema, afinal de contas era apenas uma festa de velhos amigos. E festas de velhos amigos não acontecem com uma frequência que pudesse ameaçar sua santa paz. Mal sabia ele, que a coisa toda poderia ser pior. Todos os velhos amigos poderiam ter comparecido.
Coisa que não aconteceu.
Mas mesmo as figuras que ali compareceram não sendo tão numerosas, o salão ficou um tantão barulhento. Não é todo dia que mil memórias se põem a dançar! Sapateavam, rodavam, brindavam e por muitas vezes tropeçavam e causavam vexame.
O vexame causava risadas.
E isso era bom.
Alguns dos velhos amigos quais não estavam lá, não faltaram ao grande encontro por apenas estarem ocupados demais sendo bem sucedidos em suas vidas. Eles fizeram um sacrifício. Isto, porque afinal de contas, se todos estivessem presentes, certamente faltaria assunto. Não há papo melhor que tricotar sobre um velho amigo ausente. Ninguém se ofende, ou quer ofender. Já é de velho conhecimento que a ausência em si é uma forte presença.
Nós bebemos em torno de antigas histórias gesticulando o máximo que podemos gesticular. Talvez em uma tentativa desesperada de voltar no tempo. Ou quem sabe enfiar a mão no passado e trazer um pedacinho de volta, que seja. Parecemos loucos. Se houvessem mais pessoas no mesmo salão eu sentiria vergonha. Mas não há. Todas aquelas que entraram pela mesma porta, mas com outros fins, foram imediatamente teletransportados para uma outra dimensão. Rimos, então, de velhas piadas quais já deveriam ter expirado a validade a muito tempo, mas não importam as piadas, rimos pela alegria daquela comunhão improvável. A piada não precisa ser engraçada se tudo que você precisa é de um pretexto pra gargalhar.
Qualquer coisa vale.
Um tiroteio de falsas depreciações costuma ser o auge em uma festa de velhos amigos. Seguido por um silêncio cúmplice. Neste momento alguns temem ser o primeiro a partir. Têm plena certeza que desencadearão um efeito domino irreversível. Os outros por suas vezes, ao ver o velho amigo encarando o relógio, tentam ao máximo ludibriar o tempo. Tentam contar mais uma piadinha para fazer que todos os relógios ali sejam esquecidos. Mas não há jeito. O tempo quem nos ludibria e nos convence que aqueles cinco minutos em torno da mesa tenham sido na verdade cinco horas.
Ninguém acredita. Mas não há muito lá o que argüir contra Cronos. Não queremos que ele pegue corda de nós. Se isso acontecer, vai saber qual a próxima oportunidade. Quando acontecerá novamente a festa dos velhos amigos...

Bom feriado pra vocês, feliz aniversário pra mim e é isso aí.
@Yvis_Tomazini



domingo, 17 de abril de 2011

Tique Taque Bang





Engraçado... este título, me lembra o capitulo de um livro (parado ¬¬) que uma versão mais ingênua minha escrevia em 2005. Texto legal. Logo mais termino ele.
Divaguei antes de começar, é um recorde.
Esta semana pela primeira vez senti a pressão de ter de escrever alguma coisa, tendo a suposta certeza que esta seria publicada. Isso é uma responsabilidade e tanto. Ainda mais por se tratar de um assunto tão complexo e interessante o qual escolhi. Este tal texto, não se trata de um conto ou poesia, mas, sim, de um artigo para uma revista. Não tenho certeza se utilizarão meu título, ou se o nome do tema já serviria a este propósito.
Bem, de qualquer jeito, o título seria: “Não Chorar as Ogivas Detonadas”.
Adoro trocadilhos capiciosos...
Divaguei de novo...
Voltando.
Já senti a pressão de lutar contra o relógio/calendário e tentar completar algo a tempo de submetê-lo a alguma antologia, ou concurso. Sim, sim. Mas, enfim, desta vez eu tinha “certeza” de sua publicação.
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Faço questão de usar aspas em torno da certeza quanto a algo futuro, pois NADA é certo.
- A morte é certa Sr. Caneta...
E quem garante que exatamente agora não está sendo desenvolvido o soro da imortalidade? Pode estar sendo feito a partir de enzimas extraídas do sangue do Silvio Santos... Ou do Bira, talvez...
- Foco...
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Um artigo publicado em uma revista é importante não só para mim que estaria divulgando meu nome e escrita, mas também para os interessados no tema abordado. “Interessados” ou “plenamente engajados” como foi o caso do escritor veterano e experiente qual trocou e-mails comigo do modo mais afável e atencioso que eu poderia esperar. Eu gostaria de ter o dobro de espaço, o triplo de números de caracteres (sem contar espaço, hein) para dar um trato mais minucioso às obras deste autor e de seus comparsas. Seu nome é Gerson Lodi-Ribeiro http://pt.wikipedia.org/wiki/Gerson_Lodi-Ribeiro , e garanto a vocês que as temáticas escolhidas por ele são extremamente interessantes. (Ele é o autor dos livros que se passam no universo daquele jogo nacional Taikodom, sabem?)



Dentro do espaço, fiz o que pude e espero não ter cometido uma grande gafe, ou injustiça, com os mencionados, ou não mencionados. Se tem uma coisa que aprendi já faz alguns anos é que o tempo voa quando escrevo, e que as páginas brancas costumam diminuir perante tudo o que tenho a dizer. E o ‘engraçado’ é que isso me faz pensar na importância dos prazos. Se eu tivesse um para terminar aquele meu livro iniciado em de 2005, provavelmente já estaria até publicado uma hora dessas.
Talvez eu estivesse morando em um chalé frio no alto das montanhas vivendo da escrita...

Divaguei... Mas foi por um bom motivo.

Abraço povo. o/
Uma semana pacifica pra todos vocês.
@Yvis_ Tomazini

P.s. - De qualquer jeito, logo mais, disponibilizarei aqui no blog o meio dos interessados adquirirem a revista.
P .s. 2 – Se você acompanha o blog (ou não) e não clicou no botão “seguir” eu agradeceria... Isto, porque algumas editoras só fecham parceria com blogs literários dependendo da quantidade de ‘seguidores’. Incrível como invariavelmente nos é cobrado popularidade, não é? Só pensei alto...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Prometo Não Fazer Muito Barulho


Existe modo mais anticlímax de avisar alguém sobre uma novidade?
É que faz um tempinho, eu resolvi postar algumas resenhas aqui no Caneta, e postar resenhas quando você mesmo é um (aspirante a) escritor é bastante delicado.
Um dia você é a pedra o outro o vidro, não é?
E o velho Yvis não pretende ofender o texto de Seu ninguém, tsc tsc, “nananinanão”. Deixemos isso para os amotinados e mal amados a quem a Terra já está destinada.
- Covardia, Senhor Caneta Selvagem?
Não mesmo.
Sensibilidade, cumplicidade e uma dose de boa educação.
Apenas quem escreve sabe o quão duro é fazê-lo (o mesmo vale pra quem cozinha e etc, né), portanto eu jamais criticaria negativamente um texto qual fez das tripas coração para me ENTRETER.
É claro que no caso de livros que tentam nos enfiar dogmas imparciais, opiniões do autor em forma travestida de prosa, aí, sim, é justo que seja feito um contra-ataque.
Mas, meu bom senso diz que, no que se trata de literatura de entretenimento, não tenho o direito (e nem vontade) de menosprezar a cria dos outros. Deste modo, as resenhas que pretendo escrever terão caráter descritivo e não muito lá opinativo.
Que seja.


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Acabo de firmar uma espécie de parceria com o Selo Brasileiro (um grupo de autores que juntos promovem seus livros e, por conseguinte, a literatura nacional). O interesse foi meu como blogueiro e não como autor. Isto, pois deduzo que estarei ainda mais engajado na causa literária. Com prazer conhecerei mais autores nacionais - inclusive aqueles fora do gênero fantástico - aprenderei a desenvolver uma resenha e de quebra ainda conseguirei bastante alimento para o Caneta Selvagem.
Este projeto ao qual me voluntariei, chama-se “Booktour Selo Brasileiro”, e consiste no trânsito dos livros por meio dos blogueiros mancomunados. Um envia para o outro, que dentro do prazo (15 dias) lê o material. O trabalho que já está em minhas mãos trata-se de um romance passado durante a 2ª Guerra, e já me identifiquei logo aí, já que parte do meu livro se passa em uma grande guerra também (é, infelizmente, quando vemos o pior, mas também o melhor do ser humano). Confesso que desconhecia o nome da autora, portanto de algo a parceria já serviu. Assim que chegar a hora, tagarelarei a respeito do livro e se sua criadora.
Segue o link para os blogueiros interessados. http://selobrasileiro.blogspot.com/p/booktour-selo-brasileiro.html
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No mais, para descansar a cabeça de meu romance, tenho avançado bastante em uma novelinha fantástica e descompromissada chamada ‘Os Caçadores de Estátuas’. Classificada como juvenil por algumas pessoas que leram o trechinho que publiquei a umas semanas atrás. Pretendo terminá-la em breve, mas ainda não sei se terei coragem de publicá-la on line, já que é um trabalho muito menos minucioso que todos meus outros. Estou seriamente pensando em fazer uso de um pseudônimo e postar em outro blog.
- Covardia, Senhor Caneta Selvagem?
Oi?! O.O
Para quem se interessar.

Ótima semana pra todos vocês!
Abraços!
@Yvis_Tomazini