quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Festa dos Velhos Amigos



Para aproveitar o feeling, vou dar uma postadinha fora do script. Fora do script como o reencontro com alguns amigos meus que ocorreu ontem. Teria sido coincidência se tivesse sido um dia depois, que seria meu aniversário. (Um dia, porque não nos esqueçamos q passamos da meia noite, como deve passar toda reunião de velhos amigos.) Que seja, acho que todos vão se identificar um pouco.





A Festa dos Velhos Amigos

Yvis Tomazini

Assim que chegamos à recepção do grande salão fomos obrigados a largar todos nossos recalques e frescuras. É bem verdade que a chapelaria ficou lotada e o rapaz responsável nunca trabalhou tanto em uma noite de terça. Mas isso não era um grande problema, afinal de contas era apenas uma festa de velhos amigos. E festas de velhos amigos não acontecem com uma frequência que pudesse ameaçar sua santa paz. Mal sabia ele, que a coisa toda poderia ser pior. Todos os velhos amigos poderiam ter comparecido.
Coisa que não aconteceu.
Mas mesmo as figuras que ali compareceram não sendo tão numerosas, o salão ficou um tantão barulhento. Não é todo dia que mil memórias se põem a dançar! Sapateavam, rodavam, brindavam e por muitas vezes tropeçavam e causavam vexame.
O vexame causava risadas.
E isso era bom.
Alguns dos velhos amigos quais não estavam lá, não faltaram ao grande encontro por apenas estarem ocupados demais sendo bem sucedidos em suas vidas. Eles fizeram um sacrifício. Isto, porque afinal de contas, se todos estivessem presentes, certamente faltaria assunto. Não há papo melhor que tricotar sobre um velho amigo ausente. Ninguém se ofende, ou quer ofender. Já é de velho conhecimento que a ausência em si é uma forte presença.
Nós bebemos em torno de antigas histórias gesticulando o máximo que podemos gesticular. Talvez em uma tentativa desesperada de voltar no tempo. Ou quem sabe enfiar a mão no passado e trazer um pedacinho de volta, que seja. Parecemos loucos. Se houvessem mais pessoas no mesmo salão eu sentiria vergonha. Mas não há. Todas aquelas que entraram pela mesma porta, mas com outros fins, foram imediatamente teletransportados para uma outra dimensão. Rimos, então, de velhas piadas quais já deveriam ter expirado a validade a muito tempo, mas não importam as piadas, rimos pela alegria daquela comunhão improvável. A piada não precisa ser engraçada se tudo que você precisa é de um pretexto pra gargalhar.
Qualquer coisa vale.
Um tiroteio de falsas depreciações costuma ser o auge em uma festa de velhos amigos. Seguido por um silêncio cúmplice. Neste momento alguns temem ser o primeiro a partir. Têm plena certeza que desencadearão um efeito domino irreversível. Os outros por suas vezes, ao ver o velho amigo encarando o relógio, tentam ao máximo ludibriar o tempo. Tentam contar mais uma piadinha para fazer que todos os relógios ali sejam esquecidos. Mas não há jeito. O tempo quem nos ludibria e nos convence que aqueles cinco minutos em torno da mesa tenham sido na verdade cinco horas.
Ninguém acredita. Mas não há muito lá o que argüir contra Cronos. Não queremos que ele pegue corda de nós. Se isso acontecer, vai saber qual a próxima oportunidade. Quando acontecerá novamente a festa dos velhos amigos...

Bom feriado pra vocês, feliz aniversário pra mim e é isso aí.
@Yvis_Tomazini



18 comentários:

  1. Não vai demorar muito como demorou todo esse tempo para a próxima vez, pode ter certeza.

    Precisamos disso pra gente cara!

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  2. Que isso, um pequeno resumo da memóravel importância que "grandes pequenos" como tal reunião nos faz ter ciência....

    Falei difícil?

    Traduzo: um encontro irado, sem comentários que se possa fazer que já não tenha sido feito no texto acima....

    Valeu Toma pelo texto....

    A Caneeeeetttaaaa Selvaaaagemmmmmm yaaaaaa!


    o/

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  3. è isso mesmo brothers quer terapia maior?!

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  4. O Jow pohaaaa cade da breja????? hauhauahauhauha

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  5. hauahu poh essa ta irada, ta todo mundo da mesa poh saiu só o 'lego' mas tranks hauaha

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  6. é, essas mulheres de atenas.

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  7. foi muito bom, tem que repetir isso mais vezes
    anway, parabéns yvis, felicidades e tudo de bom!

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  8. Podis crer, cara tem mesmo
    Brigadão aí Renan!

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  9. Brother.. como disse o primeiro brother, queria eu estar lá. Pqp, eu teria ido, se soubesse, se tivesse chego em tempo...

    Concordo com a resposta do comentário. Teria sido épico. A verdade? Tenho certeza que foi épico. Como sempre é, uma vez que essa reunião tem poder suficiente pra tornar qualquer momento em algo memorável. E também pq pra reunir esse povo precisa de um esforço tão épico quanto o encontro em si.

    C'est la vie... Quem sabe não sou eu quem providencia a próxima reunião?

    Um big hug pros caras da foto. Por algum motivo que nenhum de nós entende, essa 'porra' de grupo persiste. E continua sendo 'do new metal'.

    Um greater hug pro dono do blog, pelo texto tão style quanto as memórias.


    PS: Aliás, feliz aniversário. Não porque essa é a forma mais fácil (até porque eu não sabia/lembrava da existencia do blog), mas sim porque você não atende o maldito celular.

    Mega-sena, muita cerveja e inspiração. Tradução? Tudo o que há de melhor pro Yvis.

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  10. Poh valeu brodi (cabei de chega heeh) rolou outro dia maneiro... Semana movimentada esta.
    Abração ae e tenta ir no dia 7 de maio poh!
    O/ !!

    ps - New metal não Hard Core fio!

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  11. pow Yvis, que barato esse texto seu, transformando o encontro de vcs num trecho literário tão rico e simples, nostalgico... deu vontade de ter eu aqui meu proprio encontro dos velhos amigos :-)

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  12. Qualquer evento ou objeto é uma vitima em potencial heheh q bom q curtiu

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  13. Feliz aniversário (atrasadinho), abçs!

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  14. Imagina! Eu estava aqui pensando no que você escreveu sobre o tempo e Cronos. Eu prefiro pensar no Kairos, que é segundo algumas traduções, o "tempo oportuno", em que não existe passado, presente e futuro, mas existe a pessoa viva, com tudo o que esse lado vivo tem dentro de si. Prefiro sempre pensar nos seres humanos como eternos, pode ser porque eu seja espírita. Enfim, mas de qualquer forma ser eterno aumenta nossa felicidade e também nossas responsabilidades diante de cada atitude que irá se refletir mais tarde. E ter amigos, comemorar nossas conquistas é algo muito valioso, é hoje que construímos os laços afetivos do nosso futuro.

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Muito obrigado por contribuir com A Caneta Selvagem.
Isso significa muito.
Yvis Rissi Tomazini