terça-feira, 15 de novembro de 2011

“RESENHA” de O Casarão


Breve nota do Caneta: Pouco após o inicio do "A Caneta Selvagem" eu já havia feito um post sobre o lançamento deste livro.
Segue o link: http://migre.me/6a8cQ
Contudo, agora que o li, tenho como responsabilidade dar o aval da obra, não é?
Não sou um resenhista, sou um aspirante a escritor (and that's what i do!). E embora, muitos consigam conciliar as duas coisas, eu não me sinto muito lá a vontade. Daí o motivo das aspas na palavra "resenha". Acontece que eu gostei bastante de "O Casarão", e sendo assim, comentá-lo foi um exercício prazeroso.
___________________________
O Casarão por Vicente Reckziegel




"Assim que terminou de contar sua história, Jonas olhou para nós e o que viu foram três rostos assustados, as bocas abertas e olhos arregalados como numa caricatura. Acho que, ao olhar para nós, Jonas acabou também por se assustar. O primeiro que decidiu terminar com aquele silêncio foi Roberto." ... (Trecho de um capitulo mais adiante.)"

Vicente Reckziegel já inicia o texto nos envolvendo em uma acolhedora nostalgia. A voz em primeira pessoa começa apresentando os quatro personagens principais. Sendo, obviamente, o narrador um daqueles quatro amigos. A espontaneidade que um ofende o outro para em seguida fazer uma piada, torna aquelas relações bastante criveis e orgânicas. O ‘Quarteto Fantástico’, no auge dos seus quatorze anos, vive aquele tempestuoso e (prazeroso ao se lembrar) momento de amadurecimento. A infância se foi, mas a vida adulta ainda é uma miragem na distância. Os quatro garotos são bem distintos um do outro, e muito provavelmente o leitor vai se identificar com um deles, ou imaginar o rosto de seus amigos ali.
Não que eu tenha feito isso.
Ok, admito, foi um pouco inevitável.
Mas é aí que mora o perigo. Aquela sensação de conforto e segurança vai derretendo ao decorrer das páginas, e então percebemos a que o livro veio.
E então você perceberá que é tarde demais. Uma porta se fechou atrás de você. O único caminho a seguir é avante. Você quer terminar o livro.








O livro aposta na curiosidade que ele gera. Ao pegá-lo, notará que a sinopse quase nada revela a respeito da trama. Tudo que se sabe é que quatro garotos vão meter o nariz, onde não foram chamados. E que algo vai acontecer.
Mas...
Algo, “ o que?”. (Entenderam?)
É mérito também da narrativa fluida, que o livro consiga administrar esta curiosidade que ele gerou. Eu não me desapontei. Ao contrário disso, me surpreendi com a atmosfera próxima ao final MUITO diferente daquela mostrada na apresentação.

Bom... mas, como já dizia a frase do dia do Orkut: “Quem fala muito, dá bom dia a cavalo.”
Pararei por aqui antes que revele mais do que devia.
Só me resta aconselhar a leitura de "O Casarão" e parabenizar o autor Vicente Reckziegel. (É muito reconfortante ver um autor da minha geração fazendo seu trabalho bem feito.)
Link do autor, caso queiram adquirir um exemplar.
Obs: O livro tem 140 páginas e foi publicado pelo selo Anthology da editora Multifoco.

Obs 2: Tenho uma critica negativa ao livro! Mas acho que todos aqueles que tocam contra-baixo também a teria. hauah =)

Obs 3: Mais ou mesmo na mesma linha (a nostalgia é uma boa gasolina para escrita) segue o trecho de um trabalho meu que postei aqui no blog. É uma espécie de post duplo, e a narrativa intitulada Os caçadores de Estátua, fica na parte final. http://acanetaselvagem.blogspot.com/2011/03/sao-apenas-historias.html











Forte abraço a todos e um próspero fim de feriado!
Yvis Rissi Tomazini
@Yvis_Tomazini