Yvis Rissi Tomazini


Olá, meu nome é Yvis, prazer.
Antes que faça alguma piadinha com meu nome, no mínimo estranho, faço questão de explicar o significado. O nome é uma corruptela de ‘Yves’, e significa, ‘Filho do Arco’.
Isso mesmo, ‘respeito é bom e evita flechadas’.
- Quem aí disse, ‘Arco-Yvis’?!

Que seja.
Desde criança sofro do mal de excesso de imaginação. Pode parecer legal para quem está lendo e não passa por isso, mas imagine o tipo de divagação que eu tinha durante as aulas de matemática.
Pois é.
Enquanto criança costumava usar como válvula de escape as minhas brincadeiras. Envolvia meus brinquedos em tramas de temas variados, mas em uma linha continua. Sim, meus bravos soldados, sofreram lutaram corajosamente durante longas temporadas. Ainda me lembro do enredo do último episódio quando constatei que era hora de parar. Juntei todos eles  e fiz a Brincadeira Final. E, modéstia a parte, não foi tão ruim assim. Fechei todos os arcos pelo menos.  
Foi divertido, até a hora do adeus.
Eu tinha aí um enorme problema: Onde depositar minha imaginação? As idéias continuavam a vir. Elas não haviam entendido que agora não haveria mais espaço para seus potentes lampejos.
Então...
Então ainda bem novo, com doze anos, formei minha primeira banda de rock (Bald Monkey) e esta era a minha chance de extravasar as novas idéias. Contudo, nas letras - que passei toda adolescência e início da vida adulta compondo - tratavam de críticas e desabafos.
Ora ou outra, MUITO raramente, tendendo a algo romântico.
Sempre releguei o romantismo para minhas melancólicas tentativas de poesia...

"Mas isso é uma outra história, e terá de ser contada em outra ocasião." como diria Michael Ende.

Desta forma, eu ainda precisava de um equilíbrio. Havia coisas boas, idéias não necessariamente negativas, aflitivas ou melancólicas a serem trabalhadas. De certa forma, o escapismo bem dosado pode nos salvar. Pode ser a parte positiva de ter uma boa imaginação. Um escudo contra um mundo, por muitas vezes, cinzento. Então fui apresentado ao extraordinário mundo do R.P.G. Aquilo tinha sido inventado para mim.
Como poderia existir algo tão divertido?
E este ótimo equilíbrio - no que tange meu lado criativo - me ajudou muito durante a árdua, dolorosa e maravilhosa época que foi minha adolescência. Eu tocava com a minha banda “Receba!” e posteriormente fundei a “Índole S.P.D.”, em sua primeiríssima formação.
Minha criatividade jorrava para todos os lados...
De alto a baixo, na depressão e na pura alegria.
Até...
Até que a vida adulta chegou firme e certeira golpeando forte aquele “status nada quo”.   
O R.P.G. se foi, e meus sonhos inocentes e megalomaníacos com minha amada Índole também.
"A criatividade é limitada pela prisão do padrão. 
O coração resiste, mas com o tempo fica cinza."

                     
Desculpem, não resisti o lamurio.

Retomando.
Para que viver?
Juntar?
Amar?
Ostentar?
Amar?!
Mas como seria capaz de fazer algo produtivo para mim, e positivo para outrem, se não havia mais o menor sentido?
E foi aí...
Neste turbilhão de incoerência sensata...
Neste momento um tanto desolador...
Que eu escrevi.
Portanto, quando digo que escrever é a minha vida, saibam que muito disso é - com o perdão do trocadilho – literal...

Na escrita encontrei o ponto médio entre escapismo e questionamento, e estas são minhas únicas premissas. As únicas coordenadas respeitadas durante o ato.

Auto-citação pode ser uma coisa muito antipática, mas a frase abaixo é de um livro que ainda sairá e fala um pouco sobre isso.

"Prefiro morrer cavalgando um sonho a viver um pesadelo."


Yvis Rissi Tomazini

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